O Supremo Sinal / Sobre O Propósito Dos Risâle-i Nur

 

SOBRE O PROPÓSITO DOS RISÂLE-I NUR

 

Nestes dias ouvi uma pergunta e uma resposta num debate imaginário.  Gostaria de contar para vocês um resumo deste debate.

Alguém disse: "A grande mobilização e as preparações completas dos Risâle-i Nur em nome da fé e comprovando a Divina Unidade aumentam cada vez mais.  Enquanto somente um centésimo destas provas podia ser suficiente para fazer calar um ateu mais obstinado, por que ainda continua  fazendo mais mobilizações e preparações tão fervorosamente?"

Responderam-lhe com estas palavras longas: "Os Risâle-i Nur não consertam somente um pequeno dano numa pequena casa.  Estes livretos reformam um vasto estrago causado numa fortaleza que abriga todo o Islam e cujas pedras são do tamanho de montanhas.  E eles também não tentam somente educar um coração em particular e uma consciência individual.  Estes livros tentam curar com a miraculosidade do Alcorão e com os remédios do Alcorão e da fé,  o coração e a mente coletiva, a consciência de toda humanidade que está sendo absurdamente subvertida pelas ferramentas da corrupção que têm sido preparadas e armazenadas por milhares de anos e está para ser totalmente estragada por ter sido atingida em cheio pela astúcia da corrupção preparada e fortalecida por mais de mil anos e os grandes ferimentos causados na consciência que enfrenta a corrupção, causada pela destruição  dos fundamentos, credos e regras do Islam, que são o abrigo para todos, principalmente para a grande massa dos que acreditam.  É claro que para poder consertar e curar tamanha destruição, ferida e  danos tão globalizados e terríveis, precisamos achar provas fortes como montanhas, necessitamos equipamentos,  remédios com o efeito curativo comprovado de mil remédios e inúmeros ungüentos.  Esta função é cumprida em nossos tempos pelo Risâle-i Nur, que emerge da miraculosidade do Alcorão de exposição milagrosa e é também um meio para o avanço e progresso através dos infinitos degraus da fé."

Ouvi toda esta discussão longa e agradeci infinitamente. Estou interrompendo este assunto aqui...

Said Nursi

*    *    *

 

EM APRECIAÇÃO

Este trabalho é o trabalho de um intelecto ardoroso;

É este gênio esperado através de todos os tempos.

Todas estas Luzes são as luzes superabundantes do mundo da humanidade;

Não há dúvida, o que brilha dentro destas verdades é a epifania de Deus.

Ó Mestre!  Todos os homens estão maravilhados com vossa Sabedoria, com vossa Luz.

Os inteligentes que encontram seus anseios  no Seu trabalho proclamam: "Não é possível achar uma falha."

Os que lêem estas Luzes, acham com a dádiva de Deus um novo mundo iluminado;

É sem dúvida Deus Quem cria ondas de luz no coração dos homens.

Seu aluno HÜSREV

Confirmando estas palavras de apreciação do nosso irmão com nossas almas e vidas, dizemos:

Este é um obstáculo para toda a dúvida e tentação.

Esta é a fonte de espanto para toda aprendizagem e filosofia.

Ao  olho da inteligência, nenhum ponto permanece escuro;

Esta é a fonte da graça e progresso.

Esta é a manifestação do Caminho e da Verdade;

Ao  olho da inteligência, nenhum ponto agora permanece escuro.

Alunos dos Risâle-i Nur,

Tâhirî, Zübeyr, Ceylân,

Bayram Abdülmuhsin

Pergunta e Resposta

Achamos apropriado escrever aqui uma resposta muito importante dada a uma pergunta meritória.  Pois nessa lição o Velho Said fala como se 40 anos atrás ele tivesse previsto as maravilhosas lições e efeitos dos Risale-i Nur.  Por esta razão, escreveremos aqui a pergunta e a resposta.

Muitas pessoas perguntaram para mim e para muitos dos meus irmãos que estudam os Risâle-i Nur, e continuam perguntando:

"Porque é que os Risâle-i Nur nunca foram vencidos por tantos inimigos, filósofos obstinados e pessoas enganadas que atacam estes ensinamentos?  Apesar deles, até um certo ponto, conseguirem colocar obstáculos à disseminação de milhões de verdadeiros e valiosos livros sobre a fé e o Islam;  apesar deles privarem muitos jovens desamparados e homens das verdades da fé, usando vícios e os prazeres da vida mundana;  apesar deles trabalharem para contradizer os Risâle-i Nur, para fazer as pessoas sentirem medo e abrirem mão destes livros através de ataques mais fortes, condutas mais cruéis, mentiras maiores, grande quantidade de contrapropaganda,  os Risâle-i Nur conseguiram ser difundidos numa maneira até agora inédita.  Seiscentas mil cópias, a maioria das quais escritas à mão secretamente , foram distribuídas e lidas com grande ardor, aqui e no exterior.  Qual é o segredo deste fato e qual é a razão deste sucesso?"

Para esta pergunta e outras perguntas como esta, dizemos: Eis a resposta:

Os Risâle-i Nur, que são verdadeiros comentários sobre o Alcorão Todo-Sapiente, mostram através da propriedade da sua miraculosidade e com provas, que a má orientação já é um tipo de Inferno neste mundo, assim como a orientação certa e a fé são um tipo de Paraíso.  Estes livretos mostram que entre os pecados, maldades e sabores proibidos existem tormentos dolorosos e comprovam que nas boas ações, bondade e vida de acordo com as leis de Deus há prazeres imateriais como aqueles prazeres do paraíso.  Assim, estes livros conseguem salvar aquelas pessoas sensíveis e inteligentes que foram enganadas por vícios e má orientação.  Porque nesta época que estamos vivendo há dois estados espantosos:

O PRIMEIRO:  Já que os sentidos dos homens, que falham em ver o resultado final dos acontecimentos das coisas e preferem um grama de prazer imediato às toneladas de prazeres futuros, e já que este hábito domina seus sentidos  superando  sua inteligência e seu pensamento , o único jeito de salvar os prisioneiros deste vício é mostrar a  eles a dor escondida nestes prazeres imediatos e derrotar estes sentimentos propícios aos vícios.  Como indicado no verso:

يَسْتَحِبّوُنَ اْلحَيَاةَ الدُّنْيَا

Pois preferem este mundo ao Além ...50,

o único caminho de salvação do perigo de alguém preferir fragmentos frágeis de vidro deste mundo aos tesouros diamantinos e aos prazeres do Além, e do perigo de alguém seguir pessoas de más influências em seu amor a este mundo, mesmo sendo ele mesmo uma pessoa que tem fé, é mostrar a eles o tormento infernal e a dor já presentes neste mundo.  Este é exatamente o método que os Risâle-i Nur estão seguindo.

Tomando em consideração a obstinação que surge da intoxicação produzida pela má orientação e vício que surgem por sua vez da absoluta descrença, os desvios do caminho da  verdade originados da ciência e dos vícios que vêm da luxúria de hoje em dia, somente um em dez ou talvez vinte homens podem aproveitar o método que consiste de falar de Deus Todo-Poderoso, comprovando a existência do Inferno e tentando dissuadir os homens do mal e dos vícios, por meio de seus tormentos.  Mesmo assim, uma pessoa depois de ter tido sua lição pode dizer "Deus é Clemente e Misericordioso. E o Inferno é bem longe.", e então continuar com seus vícios.  O coração e a alma de uma pessoa assim, foram conquistados pelos seus sentidos.

Agora, a maioria das comparações das Risâle-i Nur, mostram as conseqüências penosas e aterrorizadoras neste mundo de descrença e má orientação, e assim faz até os homens mais obstinados e concupiscentes 51 odiarem aqueles prazeres mundanos e ilícitos, encaminhando os que são lúcidos para o arrependimento.  As pequenas comparações que estão nas Sexta, Sétima e Oitava Palavras e a comparação bem longa que está na Terceira Estação da Trigésima Segunda Palavra assustam até o homem mais concupiscente e viciado, fazendo-o aprender a sua lição.

Por exemplo, resumidamente indicaremos as situações vistas como verdades durante a viagem imaginária no Verso da Luz.  Quem quiser mais detalhes pode olhar para as páginas 246 a 248, no final do livro Selo do Invisíve 52.

Quando vi o mundo animal necessitando provisões, durante aquela viagem imaginária, olhei para esta situação através dos olhos da filosofia materialista.  As fraquezas e impotência dos animais junto com suas extremas necessidades e terrível fome me mostraram um reino animal extremamente doloroso e cheio de tormentos.  Por ter olhado com os olhos das pessoas negligentes e mal orientadas, gritei com dor.

Depois olhei para a mesma situação através do telescópio da fé e da sabedoria do Alcorão e vi o Nome do Compassivo nascendo como um brilhante sol no signo do Provedor.  Ele fez dourado o faminto reino dos seres animados com a luz da sua misericórdia.

Depois eu vi um outro mundo dentro do reino animal, onde os filhotes tremiam de fraqueza, impotência e necessidades, numa escuridão triste e dolorosa suficientes para inspirar pena  e compaixão em qualquer um.  Quando olhei com os olhos daqueles desencaminhados, disse "Ai de mim! Novamente eu estive olhando com o olhar do desencaminhado".  De repente a fé me deu um par de óculos.  Aí eu vi que o Nome do Misericordioso nasceu no signo da solicitude.  Ele transformou aquele mundo cheio de dor num mundo alegre, iluminando-o de uma maneira tão linda e simpática que minhas lágrimas que caiam por causa de dor, pena e tristeza começaram a ser lágrimas  de alegria e gratidão pelos  prazeres sentidos.

Depois, o mundo dos homens apareceu para mim como uma tela de cinema.  Olhei para ele com o telescópio das pessoas desencaminhadas.  Eu vi aquele mundo tão aterrorizante, tão escuro que gritei, do fundo do meu coração: "Ai de mim!".  Pois os homens estavam vivendo uma vida extremamente curta e problemática, todos os dias e todas as horas das suas vidas sentindo medo da morte que vem, apesar de seus desejos e suas esperanças se estenderem para a eternidade, de suas imaginações e seus pensamentos abrangerem todo o universo,  de suas aspirações e disposições naturais desejarem vida eterna, felicidade perpétua e Paraíso da maneira mais séria, de seus poderes naturais que são ilimitados e desimpedidos, de suas necessidades direcionadas para inúmeros propósitos e de seus incontáveis  inimigos e desastres a cujos ataques eles estão sempre expostos.  Além disso, eles estavam sofrendo a constante infelicidade de declínio e separação, que é a desgraça mais dolorosa e horrenda para seus corações e suas consciências, olhando para o túmulo e o cemitério que são, para as pessoas negligentes, o portal da eterna escuridão.  Eu vi todos os homens, individuais e em grupos, jogados naquela fossa de tormentos.

Aí, assim que eu vi o mundo dos homens com todos estes tormentos, quando todas as minhas capacidades humanas, minha mente, meu coração e minha alma e talvez até todas as células do meu corpo estavam prontos para gritar e chorar, de repente a luz e poder da fé que vem do Alcorão quebrou aqueles óculos de negligência e me deu uma luz.  Eu vi:

Dos Nomes de Deus Todo-Poderoso, o Nome de O Justo nascendo no signo 53 do Onisciente, o Nome de O Compassivo nascendo no signo de Generoso, o Nome de O Misericordioso nascendo no signo de Perdoador, o Nome de O Ressuscitador nascendo no signo do Herdeiro, o Nome de O Vivificador nascendo no signo de O Beneficente e o Nome do Senhor nascendo no signo de O Monarca, como se cada um fosse um sol .Todos estes nomes iluminaram e alegraram o mundo dos homens inteiro, junto com os demais reinos que este contém dentro de si próprio.  Eles dispersaram todos os traços das situações infernais e espalharam luzes sobre o mundo desamparado dos humanos, abrindo janelas para o mundo iluminado do Além.  Eu disse "Todo louvor e gratidão eterno é para Deus tantas vezes quanto a quantidade de átomos no universo".  E eu vi e soube com certeza absoluta que mesmo neste mundo existe uma forma de Paraíso contido na fé e uma forma de Inferno contido no descaminho.

Depois o mundo do globo mostrou-se para mim.  Nesta minha viagem imaginária, os escuros poderes científicos da filosofia que não obedecem à religião mostraram um mundo aterrorizante à minha imaginação.  A situação desamparada da espécie humana que viaja no vácuo sem fim do universo em cima de um terrível navio que é o muito velho globo da terra,cheio de revoluções internas e terremotos, atravessando uma distância de vinte e cinco mil anos num único ano com a velocidade setenta vezes mais rápida que uma bala de canhão e estando sempre pronta a se desintegrar - este estado me pareceu ser de uma escuridão terrível.  Joguei o óculos da filosofia no chão e quebrei-o.  De repente olhei para a mesma situação com o olho iluminado pela sabedoria do Alcorão e vi que:

Eu vi que os vários Nomes do Criador dos Céus e da Terra, tais como O Todo Poderoso, o Todo-Sapiente, o Senhor, Deus, Senhor dos Céus e da Terra, e o Subjugador do Sol e da Lua estavam surgindo como sóis, nos signos da Misericórdia, Magnificência e Dominicalidade. Estes nomes iluminaram aquele mundo escuro, cruel e aterrorizante de tal maneira que aos meus olhos fiéis o globo da Terra pareceu como se fosse um navio de passeio cheio de comida e provisões para todos, extremamente organizado, obediente, perfeito, agradável, seguro, e preparado para o prazer, recreação e comércio; eu vi o globo da terra como se fosse um navio, um avião, um trem destinado para que os seres animados passeassem ao redor do Sol, no reino de Deus e para trazer  todo aquele sustento necessário das colheitas do verão, da primavera e do outono para aqueles que quisessem provisões.E disse : "Agradeço a Deus eternamente pela dádiva da fé tantas vezes quanto a quantidade de átomos do globo da Terra".

Foi comprovado em muitas outras comparações deste tipo nos Risâle-i Nur que as pessoas de vício e descaminho sofrem um tipo de tormento do Inferno mesmo neste mundo.  Do mesmo jeito as pessoas com fé que são íntegras vivem saboreando os prazeres de um tipo de Paraíso, com o paladar dado a elas pelo Islam e verdadeira humanidade, as manifestações e conseqüências da fé, mesmo neste mundo, aproveitando estes prazeres dependendo do grau da sua fé.

Mas nesta era tempestuosa, as correntes que cegam nossos sentidos e dispersam os olhares da humanidade para os horizontes mais longínquos, enquanto ainda assim  os sufoca, causaram uma desorientação semelhante ao entorpecimento dos nossos sentidos, de tal maneira que as pessoas desencaminhadas não conseguem perceber totalmente todo o  tormento espiritual que estão sofrendo.  Até as pessoas que estão no caminho certo às vezes ficam negligentes a ponto de não poderem apreciar totalmente os prazeres verdadeiros que estão experimentando.

O SEGUNDO ESTADO ESPANTOSO DESTA ERA:  Antigamente,a incidência de pessoas saindo do caminho certo por causa da descrença absoluta e de avanços científicos, assim como obstinação em conseqüência de negação por teimosia era muito menos comum, comparando com a era em que estamos vivendo.  Por esta razão, naquela época, as aulas dadas pelos estudiosos das verdades do Islam e as provas que estes eruditos apresentavam eliminavam as dúvidas dos agnósticos rapidamente.  Desde que a  fé em Deus era geralmente aceita, através da menção de Deus e do aviso sobre os tormentos do Inferno, eles eram capazes de fazer muitos deles desistirem da luxúria e do descaminho.  Enquanto que hoje, em vez de um infiel absoluto que podia ser encontrado num país inteiro, existem centenas deles num pequeno vilarejo.  Nos tempos modernos, é cem vezes mais comum alguém ser desencaminhado por causa da ciência e se revoltar contra as verdades da fé.  Por estes rebeldes obstinados e teimosos lutarem contra as verdades da fé com suas palavras, com um orgulho e arrogância digno dos faraós, e com um descaminho mais terrível, é claro que contra eles precisa-se de uma verdade sagrada para despedaçar seus fundamentos como se fosse uma bomba atômica, para que sua agressão possa ser parada e alguns deles serem trazidos para a fé.

Por estas razões, eterna gratidão para Deus Todo-Poderoso que os Risâle-i Nur, que são a cura perfeita para as feridas da nossa era e que são um milagre e um clarão procedente do Alcorão de Exposição Milagrosa, quebram os mais terríveis e obstinados rebeldes com suas inúmeras comparações bem-equilibradas, graças a espada do Alcorão, tão cortante como se fosse feita de diamantes.  As provas e os argumentos, tão numerosos quanto a quantidade de átomos no universo,  que os Risâle-i Nur mostram para comprovar a Divina Unidade e as verdades da fé, indicam que estes livros não puderam ser vencidos pelos ataques que foram feitos contra eles por vinte e cinco anos e ao contrário, eles triunfaram e continuam triunfando.

Sim, os Risâle-i Nur comprovam estas verdades sobre as quais falamos anteriormente com provas visíveis, comparando a fé com a descrença e o caminho certo com o desencaminhamento e todas as verdades da fé.  Por exemplo, se todas as comparações forem vistas como provas das duas estações da Vigésima Segunda Palavra, a Primeira Estação da Trigésima Segunda  Palavra e as Janelas da Trigésima Terceira Palavra e as Onze Provas do livro Cajado de Moisés, e se se prestar atenção cuidadosamente, será entendido que o que é destinado a quebrar e despedaçar a absoluta falta de fé e rebeldia ,  a má orientação obstinada de nossa era, é a verdade do Alcorão manifestada nos Risale-i Nur.  E se se comparar bem as explicações nestes livros com as explicações dos infiéis, a teimosia da absoluta descrença e obstinada negação destes tempos serão quebradas e despedaçadas pois a Verdade de Alcorão é o que se manifesta nos Risâle-i Nur.

Insaallah 54, assim como os importantes talismãs da religião e as partes que desvendam as enigmas da criação foram unidos no livro intitulado "A Coleção dos Talismãs", assim também as seções do Risale-i Nur que mostram às pessoas desencaminhadas  o Inferno que elas estão vivendo ainda neste mundo e às pessoas fiéis a orientação para saborear os prazeres do Paraíso ainda neste mundo, que mostram que a fé é a semente da qual cresce o Paraíso e a descrença é a semente da qual cresce a venenosa árvore do Inferno - estas seções também serão juntadas em uma pequena edição e publicadas.

 

A SEMENTE DO PARAÍSO

[Os seguintes quatro pontos  do primeiro tópico da Vigésima-Terceira Palavra constituem uma prova para o fato de que a semente do paraíso, ainda neste mundo,  é encontrada na fé.]

بِسْمِ اللَّهِ الرَّحْمَنِ الرَّحِيمِ

لَقَدْ خَلَقْنَا اْلاِنْسَانَ فِى اَحْسَنِ تَقْوِيمٍ ثُمَّ رَدَدْنَاهُ اَسْفَلَ سَافِلِينَ اِلاَّ الَّذِينَ اَمَنُوا وَ عَمِلُوا الصَّالِحَاتِ

Em nome de Deus, o Clemente, O Misericordioso.

Criamos o homem, um ser muito formoso, e no fim, reduzi-lo-emos ao nível mais baixo, exceto os que crêem e praticam o bem: eles receberão uma recompensa ininterrupta. 55

Há duas partes desta Vigésima-Terceira palavra.

Primeira Parte

Explicaremos somente cinco entre as milhares das virtudes da fé, em quatro pontos.

PRIMEIRO PONTO:

O ser humano, alcança a mais elevada das alturas pela virtude da luz da fé e adquire um valor digno do Paraíso.  E através das trevas da descrença desce ao mais baixo dos pontos baixos,e entra  num estado adequado para entrar no Inferno.  Porque a fé é o elo entre o ser humano e  seu Glorioso Criador.  A fé é uma forma de relacionamento.  E se é assim,  o ser humano ganha valor com respeito à arte Divina e à impressão dos Nomes de Deus que ficam aparentes nele através da fé.  Por outro lado, a descrença abala este relacionamento e por causa deste abalo, a arte Divina esconde-se  de forma que o valor do homem se restringe à matéria da qual ele é composto.  Seu valor aparece somente em respeito a matéria do seu ser físico.   E já que esta matéria só tem uma vida animal temporária, transitória e passageira, seu valor é próximo a virtualmente nada.  Explicaremos este mistério com a ajuda de uma comparação:

Por exemplo, entre as artes dos homens, o valor da arte é totalmente separado do valor do material usado.  Às vezes os valores destes são iguais, às vezes a matéria é mais valiosa e até às vezes numa matéria como ferro, que vale cinco centavos , há uma arte que vale cinco reais.  Às vezes enquanto uma arte que é antigüidade vale milhões, a matéria da qual esta arte é feita não vale um tostão.  Se tal antigüidade é levada a um mercado de comércio de antigüidades e é atribuída a algum artesão maravilhoso ou a um artista antigo e famoso, renomado e celebrado, a antigüidade será vendida por um milhão.  Se levar a mesma coisa num galpão de ferro velho, a mesma coisa pode ser comprada por cinco centavos, que é o valor do ferro velho.

Do mesmo jeito, o ser humano é uma arte antiga de Deus Todo-Poderoso.  O homem é o mais sutil e gracioso milagre de Seu poder pois Ele o criou como um campo para a manifestação de todos os nomes e um espécimen em  miniatura do cosmos inteiro numa forma miniaturizada do universo para manifestar todos os Seus nomes e as inscrições destes nomes.  Se a luz da fé entrar no seu ser  interior, todas as inscrições e sinais significativos que ele carrega serão lidos naquela luz.  Aquele que acredita lê as inscrições com consciência e faz outros lerem através desta relação.  Ou seja, a arte de Deus, inerente no homem proclamará a si mesma com tais significados como "Eu sou o produto e a criatura  do Criador Todo-Glorioso, a manifestação de Sua Misericórdia e Generosidade".  Em outras palavras, a fé que consiste no relacionamento com o Criador faz aparente todos os traços de Sua arte no homem.O valor do homem é derivado daquela arte dominical, daquele espelho do Eternamente Rogado. Então, este homem sem qualquer significância em si mesmo, torna-se superior a toda criação, o objeto da atenção de Deus e um viajante dominical digno do Paraíso.

Por outro lado, se a descrença, que é o corte de relações, entrar no seu ser, todas aquelas profundos sinais  Divins recuam para a escuridão, tornando - se ilegíveis.  Pois quando o Criador é esquecido, os aspectos espirituais que apontam para Ele não podem ser compreendidos,e é como se ficassem de cabeça para baixo.  A maioria daquelas sublimes artes cheias de significados e daquelas elevadas inscrições espirituais permanecem escondidas; e como lembrança, a parte  que pode ser vista com os olhos será atribuída a causas inferiores como a natureza e coincidência, perdendo o valor significativamente.  Cada uma transforma-se num pedaço de vidro sem brilho apesar de ser um brilhante diamante.  Sua importância será somente no que diz respeito  a matéria animal, física.   E como já dissemos, o propósito e o fruto da  matéria é somente passar uma vida curta, parcial e medíocre como o mais impotente, necessitado e triste entre todos os animais, antes de decompor-se e partir. E assim a  descrença destrói a natureza humana deste jeito, transformando-a de diamante para carvão.

SEGUNDO PONTO:

Como a fé é uma luz que ilumina os homens e possibilita a leitura de todas as letras dO Eternamente Rogado escritas sobre elas, ela também ilumina o universo inteiro e salva o tempo passado e  futuro, das trevas.  Explicarei este mistério com uma comparação que vi durante uma visão, que está presente num significado do verso:

اَللَّهُ وَلِىُّ الَّذِينَ اَمَنُوا يُخْرِجُهُمْ مِنَ الظُّلُمَاتِ اِلَى النُّورِ

Deus protege os crentes e guia-os das trevas para luz. 56

Era assim:  Vi numa visão que  tinha duas montanhas grandes, frente à frente.  Entre elas, tinha uma enorme ponte.  Debaixo da ponte, tinha um vale profundo e encontrei a mim mesmo em cima daquela ponte.  O mundo estava submerso por uma escuridão densa.  Olhei para minha direita e vi um vasto túmulo dentro de uma escuridão sem fim, quero dizer, imaginei-o.  Olhei para minha esquerda e  parece que vi tempestades violentas e calamidades se juntando no meio de assustadoras ondas de trevas.  Olhei para baixo da ponte e pensei que estivesse vendo um abismo extremamente profundo.  Contra toda esta escuridão, só tinha uma débil lanterna de bolso  Usei-a e olhei com sua luz fraca.  Uma situação horrorosa apareceu diante dos meus olhos.  No início e ao redor da ponte vi dragões, leões e monstros tão assustadores que disse para mim mesmo: "Gostaria não ter esta lanterna, assim não ia ver estes horrores."  Vi cenas igualmente horrorosas fosse que lado fosse que apontava minha lanterna.  Aí disse: "Ai de mim!  Esta lanterna só me traz infelicidades!"  Fiquei zangado, joguei a lanterna no chão e a quebrei.  Aparentemente quando eu quebrei minha lanterna, toquei no interruptor de uma enorme lâmpada que ilumina o mundo inteiro e de repente toda aquela escuridão sumiu.  Todas as partes foram preenchidas com a luz da lâmpada e a verdade sobre todas as coisas ficou visível.  Olhei, e vi que aquela ponte na realidade é uma estrada que leva através de uma planície reta, através de um vale.  E aquele túmulo enorme que vi na minha direita era na realidade  um jardim lindo onde  de ponta a ponta assembléias de louvor, serviço, companheirismo e zikr são realizadas por homens iluminados.  Os abismos na minha esquerda, que achava que eram tempestuosos e relampejantes, na realidade era um lugar vasto, bonito e elevado de banquetes, passeios, um lindo lugar de recreação e entretenimento, situado atrás de enfeitadas, agradáveis e atrativas montanhas.  E vi que aquelas criaturas que pensei que fossem monstros e dragões assustadores na realidade eram animais domesticados e mansos como camelos, bois, carneiros e bodes.  Disse:

اَلْحَمْدُلِلَّهِ عَلَنُورْالاٍيمَنَ

"Louvado seja Deus pela luz da fé que Ele nos deu" e recitando o verso:

اَللَّهُ وَلِىُّ الَّذِينَ اَمَنُوا يُخْرِجُهُمْ مِنَ الظُّلُمَاتِ اِلَى النُّورِ

Deus protege os crentes e guia-os das trevas para luz.133,

acordei da minha visão.

Assim, aquelas duas montanhas eram o início e o fim da vida, ou seja, este mundo e o reino intermediário.  A ponte era o caminho da vida.  Para minha direita era o passado, e a esquerda, o futuro.  Por sua vez, a lanterna de bolso era o ego humano, que é vaidoso, depende do que sabe e não dá ouvidos à revelação celestial.  Aquelas criaturas que pareciam monstros são as vicissitudes deste mundo e suas estranhas criaturas .

Como pode ser visto, o homem que confia no seu ego, que cai nas trevas da descrença e que é afligido na escuridão do descaminho representa meu primeiro estado  naquela minha visão, com uma lanterninha fraca na mão e com conhecimento deficiente e errado, vi o passado em forma de um enorme túmulo no meio da escuridão do vazio, imbuído da idéia da inexistência de Deus.  Por outro lado, na luz fraca da mesma lanterna, o futuro é visto como um lugar tempestuoso de selvageria, que depende de coincidências.  Também, cada um dos acontecimentos e criaturas, que na realidade é um oficial submisso dO Todo-Sábio e Misericordioso, é visto como um monstro danoso.  Uma pessoa assim é a manifestação do verso:

وَالَّذِينَ كَفَرُوآ اَوْلِيَآؤُهُمُ الطَّاغُوتُ يُخْرِجُونَهُمْ مِنَ النُّورِ اِلَى الظُّلُمَاتِ

Quanto os que descrêem, seus protetores são os Taguts que os levam da luz para as trevas. 57

Se a pessoa aceitar a Divina orientação, se a fé entrar no seu coração, se a tirania de sua alma é quebrada e se ele observar o Livro de Deus, somente então ela vai ser como no meu segundo estado, na minha visão.  Naquele momento, de repente, o universo  terá as cores do dia, e será enchido com a luz Divina e todo o mundo vai recitar o verso:

اَللَّهُ نُورُ السَّمَوَاتِ وَاْلاَرْضِ

Deus é a luz dos céus e da terra. 58

Naquele momento, ela verá com os olhos do seu coração que o passado não é um enorme túmulo, mas é uma como a passagem de cada era, onde grupos de espíritos purificados, que cumpriram seus deveres de adoração sob a liderança de um profeta ou santo exclamam "Deus é Grande!",  para estações elevadas,  após os anfitriões de puro espírito terem completado sua tarefa de vida de adoração.  Ela olha para sua esquerda e vê que através da luz da fé, ela consegue perceber de longe uma festa que O Compassivo preparou nos palácios de alegria nos pomares do Paraíso atrás das montanhosas de mudanças e vicissitudes no reino intermediário e o além; E ela sabe que fenômenos como tempestade, terremoto e peste nada mais  são que serventes obedientes d´Ele,  que apesar de serem aparentemente cruéis, são na realidade gentis instâncias de sabedoria, como tempestade de primavera e chuva.  Ela até verá que a morte é uma introdução para vida eterna e o túmulo é o portal para felicidade perpétua. Deduza você mesmo outros aspectos da metáfora, daquilo que já foi dito .  Aplique a realidade para a comparação!

 

TERCEIRO PONTO:

Fé é luz e força ao mesmo tempo.  Sim, um homem que consegue a fé verdadeira é capaz de desafiar o universo e dependendo da força de sua fé, pode se livrar da pressão dos dos acidentes e vicissitudes.  Ele consegue navegar no barco da vida, dentro de ondas do tamanho de montanhas dos acontecimentos, em segurança total dizendo:

تَوَكَّلْتُ عَلَى اللّهِ

Ponho minha confiança em Deus... 59

Ele confia todas as suas dificuldades para as mãos Daquele Possuidor do Absoluto Poder, e tranquilamente passa pelo mundo , descansando no Mundo Intermediário para depois poder voar para o Paraíso para que possa alcançar a felicidade eterna.  Mas se ele não colocar sua confiança em Deus, as dificuldades deste mundo não somente impossibilitarão que ele voe mas o puxarão para o mais baixo dos baixos.

Quer dizer que a fé causa a afirmação da Unidade Divina, a afirmação causa

a submissão a Deus, a submissão causa a confiança em Deus  e confiar em Deus causa a felicidade ao ser humano  neste mundo e no Além.

Porem não chegue em conclusões erradas!  Confiar em Deus não é rejeitar todas as causas mas consiste em considerar as causas como um véu por trás das quais  a mão do poder de Deus está trabalhando; que procurar fazer algo acontecer é um tipo de prece ativa; de procurar os efeitos daquelas causas só como vindas de Deus; de compreender que todos os resultados dos acontecimentos acontecem graças a Ele e agradecer a Ele .

Aqueles que confiam em Deus e aqueles que não confiam parecem com estes dois homens na seguinte história:

Uma vez, dois homens carregados de coisas pesadas nas costas e nas cabeças compraram bilhetes e entraram num navio grande.  Um deles, assim que entrou no navio, deixou todas as coisas no chão, sentando em cima delas e começou a ficar de olho nelas; enquanto isto o outro homem não deixa nada no chão por ser orgulhoso e estúpido.

Disseram para ele: "Deixe sua carga no chão e descanse um pouco."

Ele respondeu: "Não, não vou deixar.  Talvez suma alguma coisa.  Sou forte.  Vou guardar minhas coisas nas costas e na cabeça."

Novamente disseram para ele: "Este barco imperial é seguro e é mais forte de que você e pode guardar suas coisas melhor.  Assim, você pode sentir tonteiras e cair no mar junto com suas coisas.  Vai se sentir cada vez mais fraco.  Estas suas costas alquebradas e esta sua cabeça sem vazia não vão agüentar este peso que fica cada vez maior.  Até o capitão, vendo você deste jeito, ou vai  expulsar você do navio, mesmo embora pensando que você é maluco, ou vai mandar que colocemos você na prisão dizendo que você é um traidor que difama nosso navio e que está  debochando de nós.  Também, está sendo motivo de brincadeira de todo mundo, porque olhares atenciosos podem perceber que você está mostrando fraqueza através da sua arrogância, impotência através do seu orgulho, rebaixamento e hipocrisia através da sua pretensão; todos estão rindo de você, pois se tornou um palhaço.".  Assim, ele entendeu seu erro, colocou sua carga no chão e sentou em cima dela.

Ele disse: "Ah!  Deus te pague!  Me livrei da dificuldade, da prisão e de ser tratado como um tolo."

Ei-lo seu homenzinho sem confiança em Deus!  Veja você também  seus erros como o homem nesta história e confie em Deus.  Confie n´Ele, para que você possa se livrar de ser o mendigo do universo, de ficar tremendo diante de qualquer acontecimento, de ser presunçoso, de ser um tolo, do sofrimento no Além e da prisão das pressões deste mundo.

QUARTO PONTO:

A fé é o que faz um ser humano  ser humano, e até faz um homem ser um rei.  Sendo assim,  o principal dever do homem é a fé e a oração.  A blasfêmia transforma o ser humano num  impotente animal monstruoso.

Dentre as milhares de provas sobre este assunto,  as diferenças entre a forma nas quais os homens e os animais vieram a este mundo se constituem em provas suficientes, e um argumento decisivo.

Sim, as diferenças nos modos como homens e animais vêm a este mundo  mostram que  é a fé que faz o homem verdadeiramente homem.  Porque o animal, assim que vem ao mundo, nasce, por ser mandado em perfeitas condições de acordo com suas habilidades, é como se tivesse sido completado e aperfeiçoado num outro mundo.  O animal aprende todas as condições e regras da sua vida e sua relação com o universo em duas horas, dois dias ou dois meses e ganha suas habilidades para sobreviver.  Em vinte dias, um animal como um pardal ou uma abelha desenvolve, ou em outras palavras, ganha com a graça de Deus, o poder vital e as habilidades de sobrevivência, as quais o ser humano demora vinte anos para aprender.  Isto quer dizer que o dever fundamental dos animais não é o aperfeiçoamento através da aprendizagem, não é  ter progresso através do conhecimento e nem é pedir ajuda rezando e mostrando sua impotência.  Provavelmente, o dever deles é trabalhar de acordo com suas habilidades, completar suas tarefas e reconhecer que são servos de Deus  através de seus atos.

Por outro lado, o ser humano quando nasce precisa aprender todas as coisas, vem totalmente ignorante sobre as leis da vida e não aprende as condições de sua vida nem em vinte anos.  Talvez ele precise aprender até o fim da sua vida.  Ele  é mandado ao mundo numa condição extremamente fraca e impotente a ponto de poder ficar em pé apenas um ou dois anos depois.  Somente em quinze anos ele consegue perceber a diferença entre danos e benefícios, e com a ajuda da experiência da humanidade, ele atrai coisas vantajosas para ele e evita coisas que o prejudicam.  Então, o dever fundamental, a função inerente dos seres humanos é aperfeiçoar-se através da aprendizagem e adorar a Deus com suas preces e súplicas.   Em outras palavras, o dever do homem é saber as respostas das seguintes perguntas: "Com a misericórdia de quem minha vida é administrada da maneira tão sábia?", "Com a generosidade de quem estou tão bem cuidado?", "Com a graça de quem estou sendo tão delicadamente abastecido e administrado?".  É além disso a função e dever do homem rogar e suplicar ao Provedor de Todas as Necessidades através da língua da impotência e humildade, rezar e pedir a Ele as milhares de necessidades de que precisa, e que nenhuma delas pode pegar com suas próprias mãos.  Ou seja, o dever de homem é voar nas asas da fraqueza e humildade, para a elevada estação da adoração e da servidão.  Então, o ser humano veio para este mundo para progredir através de conhecimento e prece.  Em termos de sua natureza intrínseca e capacidade, tudo é relacionado ao conhecimento.  E o princípio, fonte, luz e espírito de todo conhecimento verdadeiro é o conhecimento de Deus.  E a essência e o princípio do conhecimento de Deus é a fé em Deus.

Em adição, pelo ser humano estar sujeito a sofrer infindos desastres e ser alvo de ataques de infinitos inimigos,  por causa da sua impotência, e por ele sofrer de inumeráveis  necessidades e ser afligido incontáveis necessidades por causa da sua pobreza sem limites, após a fé, seu principal dever é orar.  Por sua vez a oração é o fundamento da veneração a Deus e servidão a Ele.  Como uma criança para conseguir algo que necessita e que não possa alcançar ou chora ou pede, ou seja, suplica através da língua de impotência com seus atos ou palavras, e somente assim ter sucesso em alcançá-lo.  Do mesmo jeito, o ser humano é como uma criança delicada, suscetível e frágil no mundo dos seres vivos.  Ele ou deve chorar em impotência e fraqueza ou suplicar com humildade e necessidade às portas dO Compassivo e Misericordioso até que consegua as coisas que ele quer ou possa oferecer sua gratidão por elas serem feitas assim.  Ou então, como uma criança tola e levada que faz escândalos por causa de uma mosca, a pessoa dirá: "Eu, com a minha própria força domino coisas impossíveis de subjugar que são mil vezes mais poderosas e faço estas coisas me obedecerem através das minhas próprias reflexões,idéias e estratagemas, farei com que isto me obedeça.", se desviando assim para a ingratidão pelas dádivas, não somente opondo os princípios da sua natureza, mas também fazer si mesmo merecer um castigo muito severo.

Segunda Parte do Segundo Ponto da Trigésima-Segunda Palavra

Quando o porta-voz dos desencaminhados não pode achar um apoio ou fundamento sobre o qual possa construir seu descaminho e tiver seu argumento derrotado, dirá o seguinte:

"Eu, por mim, por considerar a felicidade e os prazeres deste mundo, o prazer da vida, o progresso da civilização e a perfeição das artes como todas repousando na recusa  em pensar no Além e em reconhecer Deus, apaixonado por este mundo, em liberdade absoluta e permissividade, confiando somente em mim mesmo, mandei e mandarei a maioria dos homens para o meu caminho com a ajuda de Satã."

A resposta:  Nós dizemos em nome do Alcorão: Ó homem desamparado!  Ponha sua cabeça no lugar e não ouça o representante das pessoas desencaminhadas.  Se você ouvi-lo, sua perda será tão grande que só de pensar nisso sua  alma,  mente e  coração ficarão arrepiados.

Há dois caminhos à sua frente:  O primeiro é o caminho do desamparo, mostrado pelo porta-voz dos desencaminhados e o outro é o caminho da felicidade, explicado pelo Alcorão Todo-Sábio.  Agora, você viu e compreendeu as inúmeras comparações entre estes dois caminhos nas Palavras, e principalmente nas Palavras Curtas.  Então, preste atenção e compreenda mais uma entre as milhares de comparações que é apropriada para esta discussão.  Pois:

O caminho de indicações de parceiros para Deus, desencaminhamento, desperdício e luxúria faz o homem descer para o mais baixo grau.  Assim, as costas fracas e impotentes do homem seriam sobrecarregadas com um peso sem fim causando dores incomparáveis e inacabáveis.  Pois o ser humano, se não reconhecer Deus e se não confiar n’Ele, vai ser extremamente fraco e  impotente, imensamente necessitado e pobre, alvo de incontáveis desastres, como um animal triste, sofredor e mortal.  Um homem assim, continuamente sofrerá a dor de separação de todas as coisas às quais ele mostra amor e afeição até que finalmente abandona todas as pessoas amadas e vai sozinho para as trevas do túmulo.

Um homem que desconhece Deus, tendo uma vontade extremamente limitada, poder fraco, curta duração de vida e mente obtusa, durante toda a sua vida tentará lutar em vão contra infinitas dores e esperanças.  Do mesmo jeito, ele trabalhará em vão para conseguir suas ilimitadas vontades e objetivos.

Ele, apesar de nem conseguir carregar o próprio peso, carregará o peso deste mundo enorme nas suas costas e cabeça impotentes.  Sofrerá as torturas do Inferno antes mesmo de chegar lá.

Sim, as pessoas desencaminhadas, para não sentirem esta triste dor e este aterrorizador tormento espiritual, recorrem a uma embriaguez que é como uma forma de estupor, temporariamente conseguindo evitar estes sentimentos dolorosos. Porém, quando começam a senti-los, ou seja, quando estiverem perto de seus túmulos , de repente começam a sentir as dores.  Pois quem não for um verdadeiro servo de Deus Todo-Poderoso, pensa que é o senhor de si mesmo.  Mas na realidade, neste mundo tempestuoso, ele nem consegue controlar o próprio corpo com sua vontade parcial e limitada e seu fraco poder e força.  Ele encontra milhares de tipos diferentes de inimigos atacando sua vida, desde micróbios nocivos até terremotos.  Ele, num estado aterrorizador de medo, olha para a porta do seu túmulo, que sempre parece ser medonha para ele.

Além disso, quando um homem estiver neste estado,  estará preocupado pelo estado que o mundo e a humanidade estão, porque por ser um ser humano, tem ligações com ambos.  Portanto, ele não imagina o mundo e os homens sendo controlados pelo Um Todo-Sapiente, Onipotente, Onividente, Todo-Poderoso, Misericordioso e Generoso e os atribui em vez disso para o acaso e natureza.  E assim, junto com seu próprio sofrimento, ele sofre com as dores do mundo e da humanidade.  Terremotos, pragas, tempestades, fome e seca, separação e morte; tudo isto o atormentará da maneira mais dolorosa e sombria.

Além disso, um homem neste estado não merece pena e simpatia, porque é ele quem é responsável por seus próprios sofrimentos.

Na Oitava Palavra, há uma comparação entre dois irmãos que entraram dentro de um poço.  Um deles não estava contente com uma refrescante, doce, honrada, agradável e lícita bebida, saboreada numa festa maravilhosa com amigos agradáveis num lindo jardim e por isso bebeu um pouco de vinho, que era feio e sujo, para que pudesse obter prazeres ilícitos e impuros.  Ele ficou bêbedo e depois  imaginou estar num lugar imundo no meio do inverno, cercado de monstros selvagens, e começou a gritar e berrar, tremendo de medo.  Pois esta pessoa não merece pena.  Pois ele vê seus honrosos e abençoados amigos como monstros, insultando-os, imagina que as comidas deliciosas estão sujas e os pratos limpos da festa são pedras imundas, e começa portanto a quebrá-los.  Ele também imagina que os livros respeitáveis e as escrituras profundas que estão naquele lugar abençoado são desenhos banais e sem sentido, e rasga-os e pisoteia-os.  Tal pessoa não merece  misericórdia, mas merece uma bela surra!  Já que é assim, do mesmo jeito, uma pessoa que através de escolhas erradas e por causa da insanidade do desencaminhamento é intoxicada pela descrença, imagina esta hospedagem que é o mundo e que pertence ao Todo- Sábio Criador como se fosse um brinquedo das coincidências e das forças da natureza.  Ele fantasia  a passagem daquelas criaturas para o Mundo do Além, que de fato é a renovação da manifestação dos nomes Divinos, depois de seus deveres completados com a passagem do tempo, como se fosse  a execução e aniquilação daquelas criaturas .  Ele supõe que as vozes destas criaturas glorificando a Deus, ouvidas através do cosmos são as lamentações da morte e eterna separação.  Por isso ele julga as páginas escritas dos seres criados, que na realidade são inscrições dO Eternamente Rogado, como sendo sem sentido e confusas.  Ele imagina a porta do túmulo, que é uma entrada para o mundo de misericórdia, como uma entrada para as trevas da inexistência.  E ele julga a hora marcada, que na realidade é um convite para se juntar a seus verdadeiros amigos, como o tempo de separação de todos eles.  Tal pessoa se condena para eternamente ter tormentos e dores terríveis por negar, desdenhar e insultar todos os seres,  os nomes de Deus e Suas inscrições.  Por esta razão, tal pessoa não é só indigna de compaixão e simpatia, mas também merece severas punições.  Ele não merece piedade de maneira alguma!

Ei-lo, pessoas de desencaminhamento e luxúria!  Qual realização, qual arte, qual perfeição, qual civilização, qual progresso de vocês pode enfrentar este silêncio aterrorizador do túmulo ou este desespero esmagador?  Onde é que vocês podem achar esta verdadeira consolação que é a necessidade mais urgente da alma humana?  Qual natureza, qual acaso, qual parceiro atribuído por vocês para Deus, qual descoberta, qual nacionalidade, qual falso objeto de adoração que vocês confiam tanto e para quem atribuem os trabalhos de Deus e Suas dádivas que os  sustentam, qual desses pode tirá-los das trevas da morte que vocês imaginam ser a aniquilação eterna?  Qual desses podem fazer vocês atravessarem as fronteiras do túmulo, as divisas do Mundo Intermediário , as margens da vale da ressurreição, a Ponte de Sirat 60 ou trazer para vocês eterna felicidade?

Porém vocês certamente serão viajantes deste caminho porque vocês não podem fechar a porta do túmulo.  Um viajante de tal caminho deve confiar em tal pessoa cujo controle e comando abrange este vasto globo e suas extensas divisas.

Ó tristes pessoas do desencaminhamento e da negligência!  De acordo com  o mistério do princípio que diz: "a conseqüência de um amor ilícito é sofrimento sem misericórdia", vocês estão sofrendo de um castigo inteiramente justificado, pois estão usando sua capacidade natural para amor, conhecimento,  agradecimento e veneração, que são apropriadamente relacionados à Essência, Atributos e Nomes de Deus Todo Poderoso, de uma maneira ilícita,  por suas próprias almas e pela vida neste mundo.  Vocês deram o amor que pertence a Deus Todo-Poderoso para si mesmos, estão amando suas próprias almas, o que causa vocês sofrerem o infinito tormento da alma, seu objeto de amor. Pois não estão dando a paz verdadeira para sua própria alma.  Estarão constantemente sofrendo enquanto não entregarem o amor para o Possuidor do Poder Absoluto, Que é O único verdadeiramente amado e enquanto não confiarem inteiramente n´Ele. Vocês estão sofrendo de ainda mais infortúnios porque estão dando para este mundo passageiro o amor que pertence aos Nomes e Atributos de Deus Todo-Poderoso, atribuindo às coisas mundanas as conseqüências da arte d´Ele.  Muitos destes inúmeros amados que vocês têm vão virar as costas e ir embora sem nem mesmo se despedirem de vocês.  Por outro lado, alguns nem conhecem vocês, e se conhecem não gostam de vocês, e mesmo se gostarem de vocês, não têm utilidade alguma para vocês e por isso vocês estão sofrendo constantemente de inúmeras separações, sem ter a mínima e mais remota esperança de tê-los de volta.

Esta é a essência e a realidade sobre as coisas que as pessoas do desencaminhamento chamam de felicidade da vida, perfeição humana, as vantagens da civilização e os prazeres da liberdade.  Vício e embriaguez nada são  além de um véu, elas temporariamente bloqueiam todos os sentidos.  Então, diga: "Eu cuspo na inteligência daqueles que seguem tal caminho!".

Por outro lado, a avenida iluminada do Alcorão cura com as verdades da fé as feridas das quais os desencaminhados sofrem , dispersa todo o sofrimento e escuridão encontrados naquele caminho errado, fecha as portas de todos os tipos de desencaminhamento e perdição.  Isto acontece da seguinte maneira:

A fé cura a impotência, as fraquezas, as necessidades  e a pobreza do homem graças a confiança no Todo-Poderoso e Compassivo.  A pessoa não carrega o peso da sua vida e existência mas ao invés disso o entrega  ao poder e benevolência d´Ele através do Alcorão e encontra milhares de lugares de descanso para sua vida e alma, como se ele estivesse sendo carregado no colo.  O Alcorão mostra que a pessoa não é um animal racional mas um verdadeiro ser humano que é um hóspede bem-vindo de Deus Todo-Misericordioso.

O Alcorão carinhosamente cura o homem das feridas causadas pela transitoriedade do mundo e  da natureza efêmera das coisas e do amor para com eles e tira-o da escuridão da desilusão e fantasia.  O Alcorão faz isto mostrando que o mundo é uma hospedagem do Todo-Misericordioso e que os seres neste mundo são espelhos para os Nomes Divinos e os objetos criados encontrados nele são inscrições constantemente renovadas dO Eternamente Rogado.

O Alcorão mostra a morte e a chegada da hora como uma ponte para o Mundo Intermediário e um prelúdio para se reunir e encontrar com as pessoas amadas que já estão no mundo da eternidade.  Assim, ele cura as feridas causadas pela idéia da morte ser como uma separação eterna, como é pensado pelas pessoas desencaminhadas.  Ele demonstra que esta separação na realidade é a verdadeira maneira de encontro.

Além do mais, o Alcorão, demonstrando que o túmulo é um portal que se abre para o mundo da misericórdia, o país da felicidade, o jardim do Paraíso, o reino luminoso dO Todo-Clemente, livra o homem do seu mais aterrorizador medo e mostra que a passagem deste mundo para o outro mundo, que parece ser uma viagem dolorosa, triste e desagradável na realidade é uma jornada extremamente gostosa, agradável e feliz.  Com o túmulo, ele fecha a boca do dragão e abre um portal para um jardim maravilhoso.  Ou seja, o Alcorão mostra que o túmulo não é a boca de um dragão mas é uma porta que abre para o jardim da misericórdia.

O Alcorão também diz aos crentes: "Se suas escolhas são limitadas, passe seus negócios à vontade universal do seu Amo.  Se seu poder é pouco, confie no poder dO Possuidor do Poder Absoluto.  Se sua vida é curta, pense na vida eterna, não tema, não se preocupe, pois você tem uma vida eterna.  Se seus pensamentos são obtusos, deixe o sol do Alcorão brilhar em você.  Olhe com a luz da fé que, no lugar dos seus pensamentos que te iluminam como vaga-lumes, cada verso do Alcorão te iluminará como se fosse uma estrela.  Se você tiver infindáveis esperanças ou tristezas, saiba que infinitas recompensas e ilimitada misericórdia estão à sua espera.  Se você tiver ilimitados desejos ou objetivos, não fique triste pensando neles.  Seus desejos e objetivos não podem caber neste mundo, o lugar deles é um outro reino e quem vai  dá-los a você não é você próprio, mas um outro Alguém."

Outra coisa que o Alcorão diz é: "Ó ser humano!  Você não é o dono de si próprio.  Você é o servo do Todo-Poderoso com infinito poder, Misericórdia ilimitada e Absoluta Glória .  Então, não sofra carregando sua própria vida nas suas costas porque Ele é Quem dá a vida, Ele é Quem administra a vida.  Além disso, o mundo não está sem dono; por isso não se preocupe pensando no estado em que o mundo está e não sobrecarregue a sua cabeça com o peso deste mundo, pois o Dono do mundo é O Todo- Sábio, O Todo - Conhecedor; você é somente um hóspede então não se intrometa nas coisas que não são da sua conta.  Ademais, criaturas como seres humanos e animais não estão largados à sua própria sorte, pelo contrário, todos são oficiais que têm seus deveres, todos estão sendo observados pelo Compassivo Juiz.  Não faça sua alma sofrer pensando nas dificuldades e tristezas deles. Não tente ser mais compassivo e bondoso do que O Clemente Criador deles.  Além disso, as rédeas de todas aquelas coisas hostis para você, desde os micróbios até às pragas, tempestades, fome e terremotos estão nas mãos daquele Compassivo Juiz.  Ele é O Juiz, é Todo- Sábio e não faz nada errado; Ele é Clemente, tem muita bondade e em cada trabalho d´Ele tem um tipo de benevolência.

O Alcorão também diz: "Este mundo, de fato, é efêmero mas mesmo assim produz os instrumentos necessários para um mundo eterno.  Ele, apesar de ser transitório e mortal, dá frutos eternos e mostra a manifestação dos eternos nomes do Ser Eterno.  De fato, os prazeres deste mundo são poucos e as dores muitas, mas a benevolência dO Todo-Clemente e Compassivo dá  verdadeiras e eternas dádivas.  Por sua vez, as tristezas deste mundo resultam em um tipo de prazer espiritual como uma recompensa de havê-las suportado.  Já que a esfera das coisas lícitas bastam para satisfazer todos os sabores, prazeres e deleites da alma, coração e espírito, não entre na esfera das coisas ilícitas.  Pois às vezes um prazer daquela esfera traz mil dores e sofrimentos.  Além disso, tal ato pode causar a perda dos favores dO Compassivo, que trazem prazeres eternos e verdadeiros.

Além de tudo isto, como explicamos acima, prazeres ilícitos no caminho do desencaminhamento faz o homem cair para o estado mais baixo dos baixos, de tal maneira que nenhuma civilização ou nenhuma filosofia é capaz de curá-lo, nenhum progresso humano ou avanço científico consegue achar uma solução para tirá-lo daquele poço fundo e escuro.  Por outro lado, o Alcorão eleva o homem do mais baixo dos baixos para o mais alto dos altos através da fé e boas ações e demonstra que faz isto com provas muito claras.  Ele enche aquele poço com os degraus do progresso espiritual e do desenvolvimento da alma.

O Alcorão, do mesmo jeito, facilita a viagem longa, tempestuosa e incômoda do homem para a eternidade.  Ele mostra para o ser humano os meios de atravessar mil anos ou até cinqüenta mil anos, num só dia.

Ele também, fazendo conhecido O Todo-Glorioso Que é o Soberano da Pré-Eternidade e Pós-Eternidade, confere para o homem a posição de um hóspede e um servo cheio de deveres especiais.  Ademais, ele garante que o homem viaje com máximo conforto aqui neste mundo que é uma hospedagem,  no Mundo Intermediário,  e no Mundo do Além.  Como um rei manda um dos seus oficiais para viajar em segurança e paz dentro das fronteiras de todos os estados do seu país com veículos rápidos e confortáveis como avião, navio e trem,  do mesmo jeito um homem, que se entrega ao Eterno Soberano com fé e que obedece a Ele fazendo somente boas ações e crendo, passa por todos os lugares deste mundo que é uma hospedagem, das esferas do Mundo Intermediário e do Mundo da Ressurreição e até pelas extensas fronteiras de todos os mundos após o túmulo com a velocidade de um relâmpago ou do Buraq 61,  e assim acha a eterna felicidade. O Alcorão prova esta verdade sem deixar dúvida alguma e mostra as provas para os puros e santificados.

A verdade do Alcorão também diz: " Ó crente!  Não dê a sua infinita capacidade de amar para o lado escuro dos seus instintos pois este lado seu é feio, defeituoso, mau e prejudicial a você.  Não o aceite como um objeto de amor e nem seus caprichos como o objeto de sua adoração.  Em vez disso, aceite Aquele Que concedeu a você esta capacidade infinita de amar .  Ademais, é Ele Quem vai fazer você infinitamente feliz no futuro e através da Sua munificência, Ele vai fazer a todos os que você tem afeição e cuja felicidade faz você feliz, felizes também.  Pegue como seu objeto de amor e adoração Aquele Que possui infinita perfeição e uma beleza que é infinitamente sagrada, exaltada, transcendente, perfeita, impecável e brilhante.  A beleza da Sua misericórdia e a misericórdia da Sua beleza estão demonstradas por todas as belezas e dádivas do Paraíso.  Todos os Seus nomes são infinitamente lindos e em cada um deles, existem luzes abundantes de beleza e graça.  A Sua beleza e perfeição são indicadas e apontadas por toda beleza, formosura, virtude e perfeição de todos os objetos amáveis e amados no universo."

O Alcorão também diz: "Ó homem! Não desperdice sua capacidade infinita de amar, que adequadamente pertencem aos  nomes e atributos Dele, com outras criaturas passageiras.  Os trabalhos e as criaturas de Deus são efêmeras mas os magníficos nomes d´Ele, onde a assinatura e manifestação dos nomes d´Ele podem ser vistas claramente, são eternos e permanentes.  E em cada um dos Seus nomes e atributos, há milhares de graus de beleza e formosura, perfeição e amor.  Olhe só para o nome de Todo- Compassivo:  O Paraíso é uma manifestação deste nome, a felicidade eterna é um brilho dele, e toda sustentação e riqueza do mundo é somente uma gota vinda dele.

Então, considere atentamente o seguinte verso que mostra as verdadeiras naturezas das pessoas desencaminhadas e das pessoas de fé, sobre suas vidas e seus deveres:

لَقَدْ خَلَقْنَا اْلاِنْسَانَ فِى اَحْسَنِ تَقْوِيمٍ ثُمَّ رَدَدْنَاهُ اَسْفَلَ سَافِلِينَ اِلاَّ الَّذِينَ آمَنُوا وَ عَمِلُوا الصَّالِحَاتِ

Criamos o homem, um ser muito formoso. E no fim, reduzi-lo-emos ao nível mais baixo,  Exceto os que crêem e praticam o bem: eles receberão uma recompensa ininterrupta. 62

E o seguinte verso que mostra o resultado final e a conseqüência deste desencaminhamento:

فَمَا بَكَتْ عَلَيْهِمُ السَّمَاءُ وَ اْلاَرْضُ

Nem o céu nem a terra os choraram, e nenhum prazo lhes foi concedido. 63

Quão sublime e milagrosamente estes versos expressam a comparação que fizemos!  Já que a verdade que foi milagrosa e brevemente exprimida no primeiro verso foi explicada detalhadamente na Décima-Primeira Palavra, encaminhamos os leitores do Risâle-i Nur para aquele livreto.  Por sua vez, mostraremos que verdade sublime  o segundo verso contém, através de uma breve indicação.  Ei-lo:

O significado explícito deste verso é que os céus e a terra não choram quando as pessoas desencaminhadas morrem.  O significado implícito, por sua vez, é que os céus e a Terra de fato choram quando uma pessoa de fé parte deste mundo.  Já que as pessoas de desencaminhamento negam os deveres e funções dos céus e da Terra, não sabem seus significados , rejeitam a importância deles, se recusam a reconhecer o seu Criador, estas pessoas do desencaminhamento na realidade os insultam e hostilizam.  Então, é claro que os céus e a Terra não chorarão por elas , mas pelo contrário as amaldiçoarão e até ficarão felizes por elas terem morrido.  Assim, o significado implícito daquele segundo verso é: "Os céus e a Terra choram quando uma pessoa de fé morre.".  Porque uma pessoa de fé conhece as funções dos céus e da Terra e concorda com a verdadeira natureza deles.  Uma pessoa assim, com a sua fé,  compreende  os significados que eles expressam.  Elas os respeitam, admiram e valorizam dizendo: "Que bonito eles foram feitos, quão lindamente eles cumprem seus deveres.".  Elas os amam  e aos nomes que eles refletem em nome de Deus Todo-Poderoso.  Então é por esta razão que os céus e a Terra entram em luto e parece que choram quando uma pessoa de fé morre.

[Uma parte da carta escrita pelo finado Muallim 64 Hasan Feyzi , após salvar cópias do Supremo Sinal de uma loja onde estavam guardadas, durante o grande incêndio  em Emirdağ.]

بِاسْمِهِ سُبْحَانَهُ

Em nome de Deus.  Ele está longe de qualquer defeito e falha.

Os Risâle-i Nur 65 apagam qualquer fogo ou incêndio.  Eles apagam o fogo do desperdício que está dentro dos homens com a luz do Livreto sobre Economia; a febre causada pela doença de enfermos desamparados que estão se contorcendo em fogos e chamas com a água da vida e a água da cura, que jorram da fonte de vinte e cinco remédios do Livreto para os Doentes; o fogo aterrorizante do incêndio de todos os tipos de medos e fantasias, ansiedades e preocupações, pavor e curiosidade, que engolem e abalam a cabeça, o coração e todos os órgãos do homem, através da luz e graça do Livreto sobre Ansiedade;  a febre convulsiva de doenças como hipocrisia,  fingimento, orgulho e arrogância com a ajuda e benevolência do Livreto sobre Sinceridade; e eles destróem a fortaleza do egoísmo, individualismo, arrogância e brutalidade através da orientação contida na Trigésima Palavra que é também chamado de "Ene 66" e a Sexta Palavra do livreto Palavras.

Somente as mãos fortes, poderosas, longas, equilibradas, iluminadas e conscientes dos livretos chamados de "Natureza"  e "Átomos e a Matéria" dos Risâle-i Nur podem tirar as pessoas cegas,  tolas e vagabundas, que não conseguem sair do poço de matéria e átomos,  daquele buraco.

Para acabar com a febre, as ansiedades e dores do medo da morte, basta a consolação e ajuda, o remédio e antídoto, a luz e sabedoria do livreto com o mesmo nome; assim como os livretos "A Miraculosidade do Alcorão", "Os Milagres de Profeta Mohammed" e "A Fé no Além"  são como uma grande piscina cheia de água da vida, capaz de apagar o ardente e doloroso fogo e sofrimento do Mundo Intermediário .

Assim como basta a grande luz desta abençoada obra, O Supremo Sinal ou A Cajado de Moisés, para apagar o fogo de todo tipo de politeísmo neste mundo, acreditamos com todo coração que a mesma luz, que cada dia que passa cresce mais ainda, apagará aquele fogo vermelho e a fumaça negra 67, que hoje em dia  estão cobrindo os horizontes do mundo e que começam a ameaçar o mundo Islâmico.

Resumindo, o estudo e leitura dos Risâle-i Nur e sua constante graça espiritual bastam para apagar o fogo da alma instintiva, para matar as atribuições ferozes e selvagens, para acabar com os visíveis e invisíveis soldados que são perversos e destrutivos.  Por isso sempre dizemos que "Apagar estes incêndios é a obrigação dos Risâle-i Nur e para isso que eles nasceram e existem.".

Baseado na indicação do verso:

فَسَوْفَ يَاْتى اللهُ بقَوْم

... Deus os substituirá por outros ... 68,

deste nosso povo abençoado, auspicioso, corajoso e nobre, que vive neste abençoado país que é o berço de santos, guerreiros e conquistadores abençoados,  com a graça de Deus, novamente confiamos neles e em quão valiosos, amados e guerreiros eles são.

Nos que adotam e assimilam os Risâle-i Nur, cobiça e ódio entram em declínio, escuridão e luxúria derretem e vão embora, o fogo da ignorância e desamparo apaga, o sono da natureza diminui, o sono da negligência acaba, o sangue feio, sujo  e impuro é purificado,  a alma e o coração começam a funcionar normalmente, cada veia se transforma numa passagem da luz, nem o amor para este mundo e nem o desejo para o Além permanecem, "eu" e "você"  desaparecem, os véus, que dizem que existem setenta mil deles, começam a se levantar e a montanha de existência começa a apresentar rachaduras.  Vozes começam a ser ouvidas proclamando o verso:

ارْجِعى الى رَبِّك

Volta a teu Senhor, satisfeita e inspirando satisfação. 69

o caminho para reencontrar os amados se abre, almíscar e âmbar gris são espalhados para todos os lados, depois do cumprimento da ordem do verso:

فَادْخُلى في عِبَادى

Toma lugar entre Meus servos 70,

a recompensa vem no verso:

واَدْخُلى جَنَّتى

E penetra no Meu Paraíso! 71

 

Mostre-nos, ó Quem apaga o fogo com Sua luz.

E abençoe Seu amado Mohammed!

Resumindo, os Risâle-i Nur é uma tabuleta onde está escrito "O Preservador", uma página onde está escrito "Como Deus quiser", uma folha com a inscrição "Deus o abençoe", uma mangueira feita de luz para apagar o fogo, uma sábia prescrição para o sofredor, um espelho instrutivo para quem olha, um selo profético para os muçulmanos, um mandato de prisão para os criminosos, um caminho orientador para quem está perdido, uma garantia de segurança para o solitário, um tesouro da eternidade para o antiquário, um palácio para quem não tem casa, um indulto de arrependimento para aquele que nega, uma forca da justiça para o descrente, um sagrado companheiro para o gnóstico, um palácio de união para o amado...

Em nome de todos os estudantes dos Risâle-i Nur em Denizli e redondezas.

HASAN FEYZI

(Que a Misericórdia de Deus esteja com

ele, sempre e eternamente)

 

 

[O seguinte texto é um discurso de defesa de um aluno dos Risâle-i Nur.  Mais de 800 processos jurídicos foram abertos contra assuntos relacionados ao trabalho do autor durante toda a vida dele e nos primeiros dez anos após o seu falecimento.  Todos estes julgamentos provaram que os Risâle-i Nur não tratam diretamente de assuntos mundanos, mas da vida espiritual das pessoas.]

Um Discurso de Defesa Apresentado Para a Corte Criminal de Afyon 72

Para a Corte Criminal de Afyon,

O promotor público fez uma tempestade num copo d’água e me apresentou como se eu  fosse um porta-voz que faz intrigas,  por causa dos meus serviços ao meu mestre, a quem eu orgulhosamente aceito como, e aos Risâle-i Nur.  Assim, ele me acusou ter uma grande parte no crime alegado aos Risâle-i Nur.  Em resposta eu digo:

Sou profundamente devoto ao meu mestre, Bediuzzaman, através da leitura das obras dele sobre religião, crença e ética e me beneficiei em tal grau que posso sacrificar minha vida por ele sem hesitação.  Portanto esta devoção não é prejudicial à minha terra natal ou ao povo e nem tem o objetivo de incitar o povo contra o estado, como foi alegado pelo promotor público.  Esta é uma devoção orientada mais para a salvação da aniquilação do túmulo - algo que ninguém pode evitar - a mim mesmo e a meus irmãos de religião,aqueles que querem preservar sua fé nesta era perigosa, aqueles que querem purificar sua moral e serem cidadãos úteis à sociedade e a seus países.

Sou um dos associados mais íntimos do meu mestre.  Servi a ele com orgulho.  Durante este tempo todo, não testemunhei nele nada além de virtude.  Mais de centenas de milhares de cópias dos Risâle-i Nur assim como centenas de milhares de sinceros alunos dos Risâle-i Nur que preservaram sua fé lendo estas cópias são testemunhos de sua extrema modéstia.

Meu abençoado mestre considera-se  um aluno dos Risâle-i Nur como todos nós também e não afirma nada mais que isto.

É fácil de ver esta afirmação em muitos textos, que agora estão em seu poder, e especialmente no Livreto sobre Sinceridade que está incluído na coleção O Cajado de Moisés.  Ele repetidamente afirma nos seus livretos e cartas que: "Verdades eternas como sóis e diamantes não podem ser baseadas sobre indivíduos efêmeros e nem estes indivíduos efêmeros podem alegar a possessão destas verdades."  Como, então, é possível falar de arrogância  e gabância da parte dele?  Se vocês lessem todos  os livretos e cartas, de uma maneira justa e cuidadosa, também chegariam na conclusão e teriam certeza inabalável que este erudito respeitado, o mais bem-informado da nossa era, é um estudioso de religião como ninguém que tenha aparecido por muitos séculos; e um patriota mais benfeitor e abençoado para o povo e a nação do que um exército inteiro, justamente nestes tempos quando as faíscas vermelhas de bolchevismo estão começando a atear fogo nos nossos lares.  Meu único arrependimento é não ter sido um aluno desta obra e do seu autor, nosso respeitável mestre, antes.

Respeitável tribunal de juízes, para que meus colegas cidadãos beneficiem-se dos Risâle-i Nur como eu mesmo o fiz, imprimi O Guia para a Juventude em Eskisehir 73, com uma permissão oficial e com a intenção de cumprir um dever sagrado para a nação.  Eu lhes pergunto: Tratar um coitado como eu, que merece ser parabenizado e apreciado  e que  precisa de incentivos em seus serviços aos Risâle-i Nur, que é uma coleção de verdadeiros e infalíveis comentários sobre o Alcorão, e consequentemente sobre a própria fé, com tanta severidade, não é contraditório para a verdadeira justiça?

Peço à sua justa corte que declarem livres os Risâle-i Nur, que são a nutrição das nossas almas, a causa da nossa salvação e a chave da nossa eterna felicidade.  Porém declaro que se alguns dos assuntos que eu mencionei e defendi anteriormente constituem um crime sob seu ponto de vista, aceitarei o castigo mais severo que vocês me darão com o  mais cordial contentamento e satisfação.

CEYLAN ÇALISKAN de Emirdag,

Preso na Casa de Detenção de Afyon (1948)

 

 

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50 Alcorão, 14:3 - A versão completa deste verso é: Pois preferem este mundo ao Além, e obstruem o caminho de Deus, e procuram torná-lo tortuoso.  Estão num erro que vai longe demais.

51 Concupiscente: Que tem ou revela desejo intenso de bens ou gozos materiais.

52 Um dos livretos da coleção Risâle-i Nur.

53 Neste contexto, com a expressão "nascendo no sinal de" entende-se significando. - Nota do autor.

54 Insaallah: Tomara; queira Deus; prouvera a Deus; oxalá, se Deus quiser.

55 Alcorão, 95:4-6

56 Alcorão, 2:257 - Aversão completa deste verso é: Deus protege os crentes e guia-os das trevas para luz.  Quanto os que descrêem, seus protetores são os Taguts que os levam da luz para as trevas.  Serão eles os herdeiros do Fogo onde permanecerão para todo o sempre.

57 Alcorão, 2:257

58 Alcorão, 24:35 - A versão completa deste verso é: Deus é a luz dos céus e da terra.  Sua luz assemelha-se a um nicho onde está uma lâmpada.  A lâmpada está num lampadário; o lampadário brilha como um astro de grande esplendor.  A luz tem sua origem numa árvore abençoada, a oliveira, que não é nem do Leste, nem do Oeste, e cujo azeite brilha ainda que não seja tocado pelo fogo.  Luz sobre luz!  Deus guia para a Sua luz quem Lhe apraz, e fala aos homens com alegorias, e Ele está a par de tudo.

59 Alcorão, 11:56 - A versão completa deste verso é: Ponho minha confiança em Deus, meu Senhor e vosso Senhor.  Não há um ser vivo que Ele não cuide.  Meu Senhor está na senda da retidão.

60 Ponte de Sirat: A ponte montada em cima do Inferno, por cima de qual todos devem passar para poder entrar no Paraíso.

61 Buraq: Nome da montaria do Profeta (que a paz de Deus esteja com ele) durante a sua ascensão.

62 Alcorão, 95:4-6

63 Alcorão, 44:29

64 Muallim: Professor

65 Risãle-i Nur: Livretes da Luz

66 Ene: Eu

67 comunismo

68 Alcorão, 5:54 - A versão completa deste verso é: Ó vós que credes, aqueles dentre vós que renegarem sua religião, Deus os substituirá por outros que O amem e a quem Ele ame, humildes para com os crentes, soberbos para com os descrentes.  Combaterão pela causa de Deus sem temer censura alguma.  Tal é a graça de Deus.  Ele a concede a que lhe apraz.  Deus é imenso e sabedor.

69 Alcorão, 89:28

70 Alcorão, 89:29

71 Alcorão, 89:30

72 Uma cidade na Turquia

73 Uma cidade na região central da Turquia.